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Amadeu de Freitas: “O ensino do conteúdo da Lei Maria da Penha é uma possibilidade de desconstrução da cultura calcada no machismo.”
O parlamentar cratense falou em entrevista exclusiva ao Papo Reto Cariri e esclarece sobre o PL, elaborado por ele, para a adoção de ensino da Lei Maria da Penha em escolas do Crato.
date_range08/09/2018 às 16:58

Amadeu acredita que o projeto de lei possa passar pela aprovação dos colegas vereadores e virar lei nas escolas do município (foto: reprodução Crato em Foco)

Por Rafael Pereira

Um Projeto de Lei (PL) tramita na casa legislativa do Crato desde o dia 21 de agosto e espera por aprovação. A ideia apresentada pelo vereador Amadeu de Freitas (PT) é que as escolas do município do Crato passem a adotar o tema da Lei Maria da Penha na pedagogia dos alunos, depois do último número que vitimou a professora Silvany morta em agosto pelo ex-marido, em Crato. A proposta, segundo ele, é para a formação das futuras gerações no respeito às mulheres e a exclusão de uma cultura machista. 

Papo Reto: Porque que você apresentou esse projeto de lei?

Amadeu de Freitas: A Região do Cariri, e em especial o Crato, registra alto índice de violência contra a mulher. Por isso entendo que o Poder Público precisa desenvolver políticas de prevenção e combate a esse tipo de violência. O ensino de noções básicas da Lei Maria da Penha nas escolas da Rede Pública do Município do Crato pretende se somar a outras ações já existentes nesse sentido.

PR: Como esse projeto vai ajudar para formação dos jovens Cratenses?

Amadeu de Freitas: A ideia é que com o desenvolvimento dos conteúdos da Lei Maria da Penha nas escolas, os adolescentes e jovens percebam que homens e mulheres são iguais em direitos e que o respeito seja um valor na relação de gênero. O ensino do conteúdo da Lei 11.340/2006 (Lei Maria da Penha) é uma possibilidade de desconstrução da cultura calcada no patriarcalismo e no machismo.

PR: Os professores e as escolas do município estão preparados para passar esse conhecimento aos alunos?

Amadeu de Freitas:  Creio que muitos dos professores e professoras conhecem a Lei Maria da Penha. Porém, para ministrar aulas sobre seu conteúdo eles e elas receberão formação específica.

PR: Em que cidade você se inspirou nesse projeto para ser adotado no Crato?

Amadeu de Freitas: Cidades como São Paulo, João Pessoa e Petrolina já aprovaram lei semelhante. O texto que apresentei foi inspirado na lei de São Paulo.

PR: Como que o senhor acha que os alunos vão reagir a esse programa de ensino já que eles estão acostumados ao básico que é ensinado?

Amadeu de Freitas: Os chamados conteúdos transversais já são comuns nas escolas. Será mais um que espero seja atrativo aos alunos para que influencie na formação deles e estes nas relações da família.

PR: Existe algum município que já pratica esse programa nas escolas?

Amadeu de Freitas: Sei de municípios que aprovaram lei semelhante, mas não conheço a sua aplicação prática.

PR: O que será mudado nas escolas com a adoção desse programa?

Amadeu de Freitas: Espera-se que toda a comunidade escolar – professores, funcionários, pais e alunos - mudem suas atitudes nas relações de gênero, reduzindo assim, a violência contra a mulher.

PR: Qual será a metodologia dos professores com a adoção desse programa?

Amadeu de Freitas:  A Secretaria Municipal de Educação irá elaborar material pedagógico específico, desenvolver formação para os docentes e planejar a distribuição dos conteúdos conforme a idade dos alunos. De forma que ao longo dos anos do ensino fundamental eles tenham conhecimento sobre os variados aspectos da lei em relação à configuração da violência doméstica e familiar contra a mulher, à assistência à mulher vítima de violência, às medidas de proteção e essencialmente às causas da violência contra a mulher e à necessidade da superação dessa chaga.

PR: Você tem esperanças que essa PL possa ser aprovada por seus colegas?

Amadeu de Freitas: Como o projeto foi subscrito por quase todos os vereadores e vereadoras e aprovado por unanimidade na primeira votação, acredito que não haverá mudança no voto dos vereadores e será aprovado também na segunda votação.

 

 

 


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Sobre
Jornalista formado pela UFCA, radialista desde 2013 com passagens por emissoras de rádio de Caririaçu e Juazeiro do Norte. Na televisão, realizei produção jornalistica para Tv Verde Vale de Juazeiro do Norte. No site Miséria, atuei como redator e editor de Cultura. Repórter do Portal News Cariri. Também prestando serviço de Assessoria de imprensa para instituições privadas, artistas e parlamentares.